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O GIGANTE DAS ENGENHARIAS

postado em 5 de jun de 2011 14:41 por Jornal BC&T   [ 5 de jun de 2011 14:56 atualizado‎(s)‎ ]
Neste terceiro Editorial apresentamos partes de uma matéria desenvolvida em parceria com o Jornal da UFVJM. A idéia era apresentar algumas questões sobre os Bacharelados Interdisciplinares (BIs) BC&T e BHU.

Como todo processo inovador, a consolidação do BC&T e o início dos cursos de Engenharia têm inundado as mentes dos alunos de muitas dúvidas e inseguranças. Nesse sentido, a equipe do Jornal Ciência & Tudo promoveu duas ações com o objetivo de tentar sanar algumas dessas dúvidas e inseguranças. Visitamos o “Prédio das Engenharias” no dia 16 de maio e entrevistamos o atual Diretor do ICT de Diamantina, o Professor Paulo César Andrade.

A matéria completa sobre os dois BIs poderá ser lida na edição 35 do Jornal da UFVJM. Abaixo, você poderá tem acesso a um pequeno trecho, além da entrevista completa realizada com o professor Paulo César Andrade.

Fotos da Visita do Ciência & Tudo ao "Prédio das Engenharias"

Você também poderá visualizar, além das fotos que ilustram este Editorial, um álbum com todas as fotos da visita da Equipe do Ciência & Tudo ao “prédio das engenharias”.

Pela oportunidade desta parceria agradecemos especialmente a Léa Sá Fortes, Diretora de Comunicação Social da UFVJM e jornalista responsável pelo Jornal da UFVJM.

Pela disponibilidade em responder as questões enviadas e nos conduzir durante a visita ao “prédio das engenharias” agradecemos ao professor Paulo César Andrade, Diretor do ICT-Diamantina.

Assinam comigo a matéria especial para o jornal da UFVJM e este Editorial os alunos José Ernane Alves Diniz Junior  (Discente do BC&T de Diamantina e co-editor do jornal Ciência & Tudo) e Fabiana Helen dos Santos (Discente do BC&T de Diamantina e membro da equipe do Projeto Ciência & Tudo)

 


Não é um elefante branco!

 

Definitivamente, o prédio – que alocará toda a infra-estrutura do ICT e de alguns cursos da FACET – e que cresce vertiginosamente no meio do campus JK 

avistando no horizonte a imperiosa posição de observador da Serra do Espinhaço que ocupa o Pico do Itambé, apesar de ser branco, não é um elefante, no sentido metafórico do termo.

 

O adjetivo “gigante” do título deste texto não é um exagero. A obra que, quando terminada e devidamente ‘preenchida’ (com móveis, equipamentos e pessoas), atenderá perfeitamente as necessidades dos cursos alocados no ICT, sem deixar nada a dever em quantidade e qualidade para as instalações das Universidades mais tradicionais do nosso país.

 

A obra conta com setenta e oito salas para professores, cinco laboratórios de informática com uma capacidade em torno de trezentos computadores, laboratórios de para todas as áreas do ICT, salas para bolsistas, salas de reunião e secretarias para todas as instâncias administrativas de todos os cursos ofertados. A construção conta também com adaptações para deficientes (rampas que percorrem todos os andares) e possuí processos sustentáveis de construção, como, por exemplo, o reaproveitamento da água da chuva.

 

Do nosso ponto de vista, é inevitável que o andamento da construção do prédio seja comparado com o andamento e desenvolvimento do próprio curso do BC&T e dos cursos de Engenharias. Apesar das dificuldades e inseguranças que surgem durante todo esse processo, o futuro para o prédio, para o BC&T e para as Engenharias, aparece para nós da mesma forma esplendorosa que Pico do Itambé se mantém majestoso a 2044 metros na Serra do Espinhaço.

 

Entrevista especial com Paulo César Andrade

 

1- Ciência&Tudo: Quando o BC&T Diamantina irá ser avaliado pelo MEC? Você poderia falar um pouco sobre isso, sobre os processos e dificuldades com relação a esse tema, e sobre possíveis conseqüências para os alunos do BC&T de uma avaliação positiva ou negativa?

Paulo César Andrade:

- O BC&T será avaliado nos próximos meses. Já foi solicitada a avaliação pela PROGRAD, mas o agendamento é feito diretamente pelo INEP.

- Todo curso de graduação passa pelo Ato Regulatório de Reconhecimento, sendo avaliadas três dimensões: organização didático-pedagógica, corpo docente e instalações físicas, cada uma delas com vários indicadores, sendo alguns deles de destaque.

- O BC&T está preparado para a avaliação; a direção e a coordenação, juntamente com o NDE, se preocuparam em atender da melhor forma possível aos indicadores.

- Os alunos não sofrem diretamente com a avaliação.

 

2- Ciência&Tudo: Estamos com quase todo o quadro de professores do BC&T completo, correto? O que está faltando? Com relação à contratação de professores temporários, quais são as perspectivas para que os temporários sejam substituídos por professores efetivos, das vagas que foram previstas pelo REUNI?

Paulo César Andrade:

- Ok, está faltando um professor de Física, cujo edital já está em processo de abertura. As inscrições estão previstas para ocorrer no período de 23 de maio até 11 de junho, com a realização do concurso prevista para o mês de julho.

- Os professores temporários têm contrato vigente até dezembro de 2011, com possibilidade de renovação até que sejam autorizados os concursos para efetivos, com previsão para o final de 2011, início de 2012.

 


3- Ciência&Tudo: Como será a transição de um aluno formado no BCT em Diamantina para uma engenharia lotada em Teófilo Otoni, e vice-versa? Qual o papel do ICT nesse processo?

Paulo César Andrade:

- Para possibilitar a transição do BC&T para as engenharias, independente de onde eles se encontrem, foi aprovada uma resolução para definição de critérios (RESOLUÇÃO Nº. 18 - CONSEPE, DE 18 DE JUNHO DE 2010).

- O papel do ICT é monitorar os critérios definidos e verificar se realmente eles estão funcionando e, caso não estejam, propor modificações.

 

4- Ciência&Tudo: Existe o risco de algum aluno não conseguir cursar a Engenharia escolhida? 

Paulo César Andrade: 

- São definidas 40 vagas para cada engenharia. Haverá o ranqueamento dos interessados, seguindo a resolução supracitada. É importante lembrar que o critério mais significativo é o CRA, portanto todo aluno deve se preocupar com isso. Mas há de se levar em consideração também que, atualmente, não se tem um número de alunos suficientes para completar todas as vagas, pois entram 120 por semestre, mas existe a evasão e a retenção.

- Esse processo seletivo tem como objetivo estimular um maior aproveitamento do aluno nas disciplinas de fundamentos e favorecer uma decisão mais responsável. Certamente que, mais amadurecido pelos conhecimentos adquiridos e convivências experimentadas ao longo dos três anos, o aluno saberá definir melhor sua opção. O procedimento tem, também, a pretensão de atuar como processo seletivo de aptidão. As vivências com projetos de pesquisa e extensão, em nível de iniciação científica, e com atividades de extensão, concretizarão as realidades e o fazer de cada uma das engenharias, auxiliando na identificação de suas aptidões.

- A escolha garantirá ao discente prioridade de matrícula nas disciplinas que fazem parte da formação escolhida. Os requisitos de disciplinas para cada carreira são estabelecidos pela coordenação do Núcleo de Engenharia e serão publicados oportunamente. Entretanto, todo discente do BC&T poderá se matricular em qualquer disciplina do curso, desde que possua os pré-requisitos e vaga disponível. Disciplinas oferecidas pelos outros cursos podem compor a estrutura curricular requerida pela carreira.

 


5- Ciência&Tudo: Existem planos para abertura de novos cursos de Engenharia nos ICTs de Diamantina e Teófilo Otoni?

Paulo César Andrade:

- O objetivo inicial é a implantação e implementação efetiva dos cursos existentes.

- A médio e longo prazo pensamos em implantar outros cursos, levando em conta demandas apresentadas seja por alunos, comunidade acadêmica, sociedade em geral ou por órgãos governamentais.

- A avaliação do processo deve ser contínua, incluindo consultas a todos os envolvidos, devendo ser motivo de reflexão e discussão na perspectiva de que sejam geradas propostas para aprimorar os conteúdos, as atividades e as ações inerentes ao processo de gestão do curso, inclusive com a proposta de novos cursos.

 

5- Ciência&Tudo: Após a implementação das Engenharias, você acha que o ICT terá que fazer esforço (ou ao menos ficar atento) para que o BC&T continue sendo um curso autônomo, pois é bem possível que os cursos de Engenharia tragam novas demandas para o BC&T, inclusive demandas que poderiam contrariar sua fundamentação no conceito da Universidade Nova, no que diz respeito, por exemplo, a formação multidisciplinar do egresso do BC&T? Por quê?

Paulo César Andrade:

- O BC&T continuará sendo um curso estruturado observando os princípios da multidisciplinaridade e interdisciplinaridade do conhecimento. O BC&T possibilita flexibilidade na formação discente, sendo inovador e permitindo uma associação estreita entre a formação superior e a formação profissional. É a porta de entrada para um amplo conjunto de opções profissionais, todas elas assentadas sobre o mesmo substrato teórico-conceitual.

- As engenharias também estão sendo arquitetadas dentro desta concepção. A proposta de estrutura curricular deve atender a novas demandas e não pode repetir o modelo atual. Não se trata de priorizar as disciplinas clássicas como tem sido reconhecido, ou simplesmente incorporar novas disciplinas, mas sim de dar uma resposta abrangente que contemple os cenários e as oportunidades indicadas anteriormente.

- Na realidade propõe-se que seja oferecida uma sólida e adequada formação básica que possibilite uma complementação de estudos posteriormente. Consideramos que cursos bem elaborados permitirão ao egresso uma flexibilidade suficiente para se adaptar às novas demandas do mercado de trabalho logo após a formatura.

- O fato das engenharias e BC&T estarem juntos na mesma unidade (ICT) facilitará bastante este processo. Já estamos verificando isso na montagem dos projetos pedagógicos das engenharias, segundo os mesmos princípios norteadores do BC&T. A preocupação seria se as engenharias e BC&T estivessem em unidades diferentes, com objetivos e estruturas diferentes.

 

7- Ciência&Tudo: Há alguma proposta de curso de pós-graduação no ICT em andamento no momento?

Paulo César Andrade:

- Sim, já foi criado um grupo emergente, futuro embrião do curso de mestrado em “Ciência e Tecnologia de Alimentos”, para um futuro bem próximo.

- Há também outras iniciativas incipientes.

- A expectativa é de implantar programas e linhas marcadas pelo diálogo entre áreas do conhecimento e entre a academia e a realidade social e do trabalho. A consolidação do BC&T e das Engenharias culminará, a médio prazo, com o estabelecimento de programas de pós-graduação stricto sensu o que fortalecerá o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica, sendo valorizada a prática da interdisciplinaridade.

 

8- Ciência&Tudo: Qual a situação do Prédio do ICT? Quais foram as dificuldades encontradas desde o início das obras até agora?

Paulo César Andrade:

- As obras sofreram um pequeno atraso, mas está se desenvolvendo com perspectiva de término para os próximos dois meses, ficando a serem feitas as obras de instalação elétrica e de redes, cujos projetos já estão prontos.

- A maior dificuldade encontrada pela empreiteira foi quanto à escassez de mão de obra qualificada na cidade de Diamantina e região.

 

9- Ciência&Tudo: O que você pensa sobre o Mercado de Trabalho para o Bacharel em Ciência e Tecnologia?

Paulo César Andrade:

 - Ao concluir o curso de Bacharelado em Ciência e Tecnologia o egresso deverá ter adquirido uma formação superior generalista, fundamentada em conteúdos básicos da área de Ciência e Tecnologia, estando academicamente apto para atuar especificamente em empresas privadas e instituições do setor público; no setor de serviços em geral; organizações do terceiro setor; atividades de pesquisa em Ciência e Tecnologia; seguir os estudos na própria UFVJM, optando por um dos cursos de Engenharia oferecidos, ou em outras IFES.

- O egresso poderá atuar no mercado de trabalho em área na qual se exija o nível de graduação superior não especificada ou em áreas no âmbito do setor primário, secundário, terciário ou terceiro setor.

- Poderá, ainda, candidatar-se a curso de pós-graduação stricto sensu na área correlata da formação superior concluída.

 

10- Ciência&Tudo: Esse é o espaço para que você se expresse sobre qualquer assunto que não foi tratado pelas perguntas acima. Sinta-se à vontade.

Paulo César Andrade:

 - O reconhecimento de que o mercado de trabalho, hoje, é muito fluido, com exigências de adaptação dos profissionais a novas funções, o que exige uma constante capacidade de atualização, inclusive de mudanças profissionais ao longo da vida.

- Um ponto essencial do projeto é o sistema de tutoria, realizada de forma individual e coletivamente. O professor tutor atua como guia, orientador dos alunos, com o objetivo de promover e dar suporte a práticas que levem à autonomia acadêmica e relacional. Ao estabelecer o contato com os alunos, o tutor complementa sua tarefa docente.

- Para mudar o quadro deficiências na formação discente, é oferecido um curso de nivelamento, especificamente de matemática, para dar suporte às disciplinas de cálculo, sendo obrigatório a todos os alunos ingressantes no BC&T.

- Antes de qualquer outra coisa, é preciso que se diga que pensar a metodologia de um curso como o BC&T é um desafio; um desafio que começa com a educação dos próprios docentes. Será necessário rever saberes, conhecimentos, valores e posturas. Não se pode perder de vista, que a concepção de um projeto pedagógico de curso é traçado em linhas, mas se concretiza na prática e implica compromissos, idéias e sonhos construídos coletivamente.

- Os docentes devem ter conhecimento d as peculiaridades do BC&T, entre as quais: a exigência do trabalho interdisciplinar na busca do conhecimento que o ensino deve propiciar; a metodologia da interatividade no ensino, o aprender fazendo, e como tal a necessidade de o professor desenvolver programas de ensino dentro dessas premissas; a disponibilidade para o permanente aperfeiçoamento pedagógico que atenda ao objetivo do projeto acadêmico; a consciência de que, em sua avaliação no estágio probatório tais atitudes serão levadas em conta; conhecimento da realidade de trabalho em tempo integral, com atividades de ensino, pesquisa e extensão.

- Para se lecionar disciplinas para todos os estudantes é necessário um enorme esforço e competência por parte dos docentes, principalmente porque para falar de assuntos complexos numa audiência de principiantes é necessário conhecer profundamente o assunto. Portanto, os docentes deverão demonstrar grande competência, gosto pelo ensino e aderência à proposta acadêmica.

 

 

André Covre

José Ernane Alves Diniz Junior

Fabiana Helen dos Santos

 

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