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Sintonizando

Juan Pedro Bretas Roa
juan.roa@ufvjm.edu.br

Matematica do mais forte, por Malba Tahan

postado em 3 de out de 2011 14:30 por André Luiz Covre

O homem que calculava - Capitulo XXX.

Em nome de Allah, Clemente e Misericordioso!
O leao, o tigre e o chacal abandonaram, certa vez, a furna sombria em que viviam e sairam, em peregrinacao amistosa, a jornadear pelo mundo, a procura de alguma regiao rica em rebanhos de tenras ovelhinhas.
Em meio de grande floresta o temivel leao, que chefiava, naturalmente, o grupo, sentou-se, fatigado, sobre as patas traseiras, e erguendo a cabeca enorme soltou um rugido tao forte que fez tremer as arvores mais proximas.
O tigre e o chacal entreolharam-se assustados. Aquele rugido ameacador com que o perigoso monarca, de juba escura e garras invenciveis, perturbava o silencio da mata, traduzido para uma linguagem ao alcance dos outros animais, queria dizer, laconicamente, o seguinte: Estou com fome.
-A vossa impaciencia e perfeitamente justificavel! - observou o chacal dirigindo-se humildemente ao leao.- Asseguro-vos, entretanto, que conheco, nesta floresta, um atalho misterioso, do qual as brutas feras jamais tiveram noticia. Por ele poderiamos chegar, com facilidade, a um pequeno povoado, quase em ruinas, onde a caca e abundante, facil, ao alcance das garras, e isenta de qualquer perigo!
- Vamos chacal! - acudiu, de pronto, o leao.- Quero conhecer e admirar esse recanto adoravel!
Ao cair da tarde, guiados pelo chacal, chegaram os viajantes ao alto de um monte, nao muito elevado, donde se descortinava uma pequena e verdejante planicie.
No meio dessa planicie achavam-se, descuidados, alheios ao perigo que os ameacava, tres pacificos animais: uma ovelha, um porco e um coelho.
Ao avistar a presa facil e certa, o leao sacudiu a juba abundante num movimento de incontida satisfacao. E com os olhos brilhantes de gula, voltou-se para o tigre e rosnou, em tom possivelmente amistoso:
- O tigre admiravel! Vejo ali tres belos e saborosos petiscos: uma ovelha, um porco e um coelho! Tu, que es vivo e esperto, deves saber, com talento, dividir tres por tres. Faze, pois, com justica e equidade essa operacao fraternal: dividir tres cacas por tres cacadores!
Lisonjeado com semelhante convite, o vaidoso tigre, depois de exprimir com uivos de falsa modestia a sua incompetencia e o seu desvalor, assim respondeu:
- A divisao que generosamente acabais de propor, o rei, e muito simples e pode fazer-se com relativa facilidade. A ovelha, que e o maior dos tres petiscos, o mais saboroso e, sem duvida, capaz de saciar a fome de um bando de leoes do deserto, cabe-vos, de pleno direito. A ovelha sera vossa, exclusivamente vossa! Aquele porquinho magro, sujo e despiciendo, que nao vale uma perna da bela ovelha, ficara para mim, que sou modesto e com bem pouco me contento. E, finalmente, aquele minusculo e desprezivel coelho, de reduzidas carnes, indigno do paladar apurado de um rei, tocara ao nosso companheiro chacal, como recompensa pela valiosa indicacao que ha pouco nos proporcionou.
- Estupido! Egoista! - ruiu o pavoroso leao, tomado de furia indescritivel! - Quem te ensinou a fazer divisoes dessa maneira, imbecil? Onde ja viste uma partilha de tres por tres ser resolvida desse modo?
E, erguendo a pesadissima pata, descarregou na cabeca do desprevenido tigre tao violenta pancada que o atirou morto a alguns passos de distancia.
Em seguida, voltando-se para o chacal, que assistira estarrecido aquele tragico desfecho da divisao de tres por tres, assim falou:
- Meu caro chacal! Sempre fiz da tua inteligencia o mais elevado conceito. Sei que es o mais engenhoso e esclarecido dos animais da floresta, e outro nao conheco que possa levar-te a melhor na habilidade com que sabes resolver os mais inextricaveis problemas. Encarrego-te, pois, de fazer essa divisao simples e banal, que o estupido do tigre (como acabaste de ver) nao soube efetuar satisfatoriamente. Estas vendo, amigo chacal, aqueles tres apetitosos animais, a ovelha, o porco e o coelho? Somos dois e os animais apetitosos sao tres. Pois bem: vais dividir os tres por dois! Vamos: faze logo os calculos, pois preciso saber qual e o quociente exato que a mim cabe!
- Nao passo de humilde e rude servo de Vossa Majestade - ganiu o chacal, em tom humilimo de respeito. Cumpre-me, pois, obedecer, cegamente a ordem que acabo de receber. Vou, como se fora um sabio geometra, dividir aqueles tres animais por nos dois. Trata-se de uma simples divisao de tres por dois! A divisao matematicamente certa e justa e a seguinte: a admiravel ovelha, manjar digno de um soberano, cabe aos vossos reais caninos, pois e indiscutivel que sois o rei dos animais; o belo bacorinho, do qual estou ouvindo os harmoniosos grunhidos, deve caber tambem ao vosso real paladar, visto dizerem os entendidos que a carne de porco da mais forca e energia aos leoes, e o saltitante coelho, com sua longas orelhas, deve ser, tambem, por vos saboreado a titulo de sobremesa, ja que aos reis, por lei tradicional entre os povos, cabem sempre, como complemento dos opiparos banquetes, os manjares finos e delicados.
- O incomparavel chacal! -exclamou o leao, encantado com a partilha que acabava de apreciar. - Como sao harmoniosas e sabias as tuas palavras! Quem te ensinou esse artificio maravilhoso de dividir, com tanta perfeicao e acerto, tres por dois?
- A patada com que vossa justica puniu, ha pouco, o tigre arrogante e ambicioso, ensinou-me a dividir, com seguranca, tres por dois, quando desses dois, um e o leao, outro e chacal! Na matematica do mais forte, penso eu, o quociente e sempre exato e ao mais fraco depois da divisao nem o resto deve caber!
E desse dia em diante, inspiradas na mais torpe sabujice, julgou o astucioso chacal que poderia viver tranquilo a sua vida de bajulador a regalar-se com os sobejos que deixava o sanguinario leao.
Enganou-se.
Decorridas duas ou tres semanas, o leao irritado, faminto, desconfiou do servilismo do chacal e deu-lhe violenta patada, matando-o cruelmente.
Cabe aqui advertir.
E que a verdade deve ser dita, redita, e quarenta vezes repetida:
- O castigo de Deus esta mais perto do pecador, do que as palpebras estao dos olhos!

Futuros Gestores terão obrigação de se preocuparem com o desenvolvimento sustentável

postado em 13 de abr de 2011 12:35 por André Luiz Covre

    Afinal, o que é desenvolvimento sustentável? Porque um gestor deve considerá-lo em seu trabalho?

    As definições são diversas, mas um bom entendimento pode ser obtido pelo objetivo apresentado pela ONU - Organização das Nações Unidas: “a meta do desenvolvimento sustentável é atender às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades”.

     No ano de 2000, foi elaborada na sede da ONU, por representantes de 189 países, a Declaração do Milênio pela qual se busca o desenvolvimento econômico, social e ambiental mundial. A partir da declaração se traçou oito objetivos básicos, que foram desdobrados em 18 metas e 48 indicadores, a serem atingidos até 2015 por meio de ações concretas dos governos e da sociedade. Os objetivos da Declaração do Milênio, na qual se espera ações de governos, empresas e sociedade civil organizada são:

  • Erradicar a miséria e a fome;
  • Universalizar o ensino básico;
  • Promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres;
  • Reduzir a mortalidade infantil;
  • Melhorar a saúde materna;
  • Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças;
  • Garantir a sustentabilidade ambiental;
  • Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento

    Voltando o foco da discussão para o sétimo objetivo – garantir a sustentabilidade ambiental – vale ressaltar que a sociedade também compõe o meio ambiente e, portanto, fazem parte deste objetivo: integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e nos programas nacionais e inverter a tendência atual de perda de recursos naturais; reduzir para a metade, até 2015, a proporção da população sem acesso permanente à água potável; até 2020, melhorar consideravelmente a vida de pelo menos 100 milhões de habitantes de áreas degradadas.

    As mudanças nos valores e demandas da sociedade, com a absorção do conceito de desenvolvimento sustentável, catalisadas pelas evidências da degradação dos ecossistemas e serviços, estão se tornando cada vez mais perceptíveis, tanto que empresas mais atentas já perceberam que necessitam considerar tais alterações da sociedade em sua gestão e em seus projetos.

    Ao se pensar que os projetos de produtos e serviços são verdadeiros agentes de transformação em um empreendimento humano, encontra-se nas mãos dos gestores de projetos a possibilidade de avaliar quais são as melhores práticas associadas aos projetos e o quanto essas práticas estão levando em consideração as diretrizes para o desenvolvimento sustentável.

    Em um primeiro momento, o mais importante é o levantamento de questionamentos com a equipe para que se possa manter presente discussões sobre como agregar ações alinhadas ao desenvolvimento sustentável nos projetos.

    O desafio é grande, porém, com certeza, todos os esforços valerão a pena uma vez que organizações reconhecidas afirmam que empresas engajadas com o tema apresentam melhores resultados econômicos e são mais valorizadas pela sociedade.

    Agora pense no seguinte: Você está considerando o desenvolvimento sustentável na gestão do projeto mais importante? No seu projeto de vida?

 

Izabela Pinheiro Alves Felipe Barros

Eng. Civil (Mestranda em Meio Ambiente, Saneamento e Recursos Hídricos – UFMG).

Sintonizando...

postado em 22 de mar de 2011 07:24 por André Luiz Covre   [ 22 de mar de 2011 15:58 atualizado‎(s)‎ ]

Nessa primeira edição do jornal eletrônico “Ciência e Tudo” gostaria, primeiramente, de expor que é com grande satisfação que participo desta iniciativa. É extremamente importante criar meios de acesso ao diálogo e à informação em todos os tipos de formação, e mais importante ainda, quando se vive um processo de construção do conhecimento em uma estrutura de ensino superior inovadora que começa a tomar forma em todo o Brasil.

Os novos desafios de formar profissionais multidisciplinares esbarram em expectativas, mudanças e muito trabalho... até agora, o tom do curso de Bacharelado em Ciência e Tecnologia é para muitos uma grande incerteza, porém “quem não desconfia de si, não merece a confiança dos outros”[1]. O que temos em mãos é fazer dessa incerteza sempre um mar de oportunidades e é nessa toada que se abrem milhões de possibilidades diante de cada um dos futuros profissionais que por ora ainda são aprendizes.

O ano de 2011 é quando os primeiros aprendizes que escolheram o BCT em Diamantina e em Teófilo Otoni terão que fazer uma nova escolha, mas afinal, qual caminho seguir? Buscar uma colocação no mercado? Continuar em um curso de Engenharia, qual? Trabalhar Ciência e Tecnologia em pesquisa acadêmica num curso de Mestrado? Ou mesmo associar conhecimentos acadêmicos com aplicação no Mercado em Mestrados profissionalizantes? Afinal, o que fazer? Quantos de nossos alunos não se fazem essa pergunta? Quantos de nossos discentes têm certeza dessas respostas? Quem de nós conhece o melhor caminho?

Todas essas perguntas, e as mais diferentes respostas, são apenas um reflexo de que o futuro depende de escolhas, e são destas escolhas que se formarão profissionais das mais diferentes áreas do conhecimento.

A coluna sintonizando vem com o intuito de trazer informação, possibilitar acesso a diferentes experiências de profissionais das mais diferentes áreas, mostrar a importância dos diferentes tipos de profissão e a necessidade do mercado em relação às novas profissões.... enfim, alimentar o leitor de idéias, para que seja menos difícil fazer escolhas profissionais e construirmos um futuro cada dia melhor.
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[1] Marquês de Maricá

Juan P. Bretas Roa – ICT
juan.roa@ict.ufvjm.edu.br

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