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Ainda me sinto em alto mar...

postado em 5 de jun de 2011 15:06 por Jornal BC&T


Não sei se acontece só comigo, mas, muitas vezes, me sinto em meio a um mar; em meio a uma tempestade de informações que, ao fazerem sentido, vão levando um pouco de mim.

As informações me bombardeiam como as ondas e vão me jogando de um lado para o outro. Às vezes, me afundam, mas, depois, me trazem de volta à superfície. 

Quando penso que estou começando a olhar o mundo com outros olhos, que estou prestes a chegar à margem, já imaginando os corais, a areia branca dos meus sonhos ou vendo a liberdade que insisto em buscar, percebo que ainda estou presa. Talvez presa a mim mesma ou às palavras que circulam em meu dicionário e que invadem minha cabeça ou presa por laços que foram construídos antes mesmo que eu nascesse, como o batismo, por exemplo. Ou como as festas religiosas, os graus de parentesco, como os signos de linguagem e até mesmo os feriados santos, laços esses chamados de tradição. Laços que não são propriamente um problema, mas que não sei ao certo se posso fugir deles.

E assim os dias vão passando, iguais, desiguais às vezes, mas que sempre passam. E me alegro em saber que ainda que as ondas me sequestrem, elas sempre me trazem de volta, mais feliz, mais triste... O certo é que não posso negar que tais ondas são o que me fazem movimentar, mesmo quando se acalmam, pois, é aí que reflito. E continuo, assim como Dom Quixote, matando meus gigantes, mesmo que pareçam moinhos de vento, pois, trabalhar 8 horas por dia e estudar não é fácil! Requer esforço, suor, e muita paciência para lidar com pessoas que não sabem ser “pacientes”.

Me alieno ao destino e busco um lugar em meu coração que me traga o que o mundo aqui fora não traz. Sou nômade e me encontro em processo de transformação. Ainda não conheço tudo em mim, por isso, às vezes, me liberto, outras me aprisiono e, em cerca de minutos, me esqueço de tudo.

Neste exato momento me sinto em alto mar, mas, agora ouço ruídos de motores. Poderia até continuar escrevendo, mas o ônibus se aproxima, e pra variar um pouquinho, LOTADO.


Adriana Reis – aluna do 5º período do BHu

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