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Qual é a qualidade da água que consumimos?

postado em 7 de jun de 2011 11:40 por Lucas" Andrade
                Uma pergunta interessante para dar início a esse assunto que é muitas vezes esquecido por nós. Esquecemos que a água passa por um complexo sistema até chegar às torneiras de nssas casas Por esse motivo, iniciaremos com essa reportagem, algumas incursões pelos diversos fatores que circundam o tema da água.

                Diamantina, uma cidade histórica que, como qualquer outra, teve no desenvolvimento da distribuição da água, primordialmente para a higiene e melhoria das condições de saúde de seus habitantes.         
                         

            O sistema de abastecimento de água deu início na antiguidade com os chamados aquedutos, que ficaram mais conhecidos pelas grandes construções romanas. No Brasil, o mais conhecido está situado na cidade do Rio de Janeiro, é o Aqueduto da Carioca (foto a esquerda), popularmente conhecido como Arcos da Lapa. Já nas cidades históricas, devido a falta de recursos ou até mesmo a falta de um terreno propício para essas construções enormes, o sistema de abastecimento de água foi criado com o aproveitamento de nascentes de água dentro das cidades, criando assim os chafarizes públicos, onde a população da época, mais precisamente os escravos, buscava água para seus senhores. 

            Com o passar dos anos, a modernidade foi chegando e um item que demonstrava o luxo e poder de uma família era a água encanada. Nesta época eram usados os canos de ferro e cobre, que com o passar dos anos enferrujam fazendo com que a vazão da agua diminua, chegando até mesmo produzir entupimentos.

            Segundo dados da COPASA, a água da Diamantina atual é de uma qualidade muito superior do que a de diversos lugares na região e o tratamento não necessita de uma quantidade de químicos* muito alta para torna-la própria para o consumo humano.

*Dados da COPASA – Diamantina, obtidos em 12/05/2011. 


Quanto à potabilidade da água

 

            Água potável é aquela que pode ser consumida sem risco para a saúde. Para ser classificada dessa maneira, a água tem de atender a determinados requisitos de natureza física, química e biológica.

Requisitos físicos:

·         Ser inodora, isto é, sem cheiro;

·         Ser incolor, isto é, sem cor, quando em pequenas quantidades e azulada quando em grandes quantidades;

·         Ter sabor indefinível, mas que permite distingui-la de qualquer outro líquido;

·         Ser fresca, sensação que depende da temperatura ambiente.

Requisitos químicos:

·         Ser arejada (conter certa quantidade de oxigênio);

·         Conter, em pequena quantidade, sais minerais, como, por exemplo, cálcio e magnésio;

·         Não conter nenhum sal tóxico.

Requisitos biológicos:

·         Biologicamente a água não pode conter organismos patogênicos (causadores de doenças).

Qualquer alteração biológica da água é denominada contaminação.

 



Sistema de abastecimento

 

            O sistema de abastecimento de Diamantina é, em grande parte, um sistema antigo. Segundo a COPASA, apenas alguns dos novos bairros contam com tubulação de PVC (material que propicia poucas manutenções para a empresa, é de fácil limpeza e propicia uma melhor qualidade da água fornecida). O restante da tubulação da cidade é de encanamentos de ferro e cobre, que estão ultrapassados e causam grandes problemas, principalmente para a população, pois a empresa tem que estar sempre fazendo reparos na rede subterrânea e não pode trocar esse tipo de tubulação pois existem dificuldades para obter autorizações para escavações para este fim. O principal problema: a qualidade da água cai. 

            O sistema de abastecimento começa na CAPTAÇÃO DA ÁGUA chegando na estação de tratamento Pau de Fruta, localizada na entrada da cidade, próxima ao aeroporto. A água chega por gravidade e, dependendo do local de onde é captada, chega com o auxílio de bombas. No momento que a água chega na estação de tratamento de água – ETA – ela passa pelos seguintes processos:




Passos 1, 2, 3 e 4; 

OXIDAÇÃO: oxida os metais presentes, principalmente ferro e manganês, que se encontram dissolvidos na água bruta. Nesse processo é injetado CLORO ou algum produto similar, permitindo assim sua remoção em outras etapas do tratamento.

COAGULAÇÃO: a remoção das partículas de sujeira se inicia no tanque de mistura rápida com dosagem de SULFATO DE ALUMÍNIO ou CLORETO FÉRRICO. Estes produtos são chamados de coagulantes e têm o poder de aglomerar a sujeira, fagregando-a em flocos. Ao mesmo tempo adiciona-se CAL para otimizar o processo, o que mantem o pH da água em nível adequado.

FLOCULAÇÃO: a água já coagulada movimenta-se de tal forma dentro dos tanques que os flocos se misturam uns com os outros, ganhando peso, volume e consistência. 

DECANTAÇÃO: os flocos formados anteriormente separam-se da água, sedimentando-se, pela força da gravidade, no fundo dos tanques.

Passos 5, 6, 7, e 8;

Quebra ondas, serve para que a água chegue com menor velocidade nos tanques de decantação. 

FILTRAÇÃO: a água ainda contem impurezas que não foram sedimentadas no processo de decantação. Para isso, ela passa por filtros constituídos por camadas de areia suportadas por cascalhos de diversos tamanhos que retém a sujeira restante. 

DESINFECÇÃO: a água já está limpa quando chega nessa etapa, mas ela recebe CLORO para eliminar os germes nocivos à saúde. O CLORO serve também para garantir a qualidade da água nas redes de distribuição e nos reservatórios. 

CORREÇÃO DE pH: para proteger as canalizações das redes de distribuição e das casas contra a corrosão ou incrustação, a água recebe uma pequena dosagem de CAL, que corrige seu pH. 


Passos 9, 10 e 11;

FLUORETAÇÃO: depois de receber um tratamento completo, a água é fluoretada, em atendimento a uma Portaria do Ministério da Saúde. A fluoretação consiste na aplicação de uma dosagem de composto de flúor (ÁCIDO FLUOSSILÍCIO). Ele reduz a incidência de cárie dentária, especialmente em períodos de formação dos dentes, que vai da gestação até a idade de 15 anos. 

Depois deste processo, a água vai para o reservatório de onde é distribuída para toda a cidade até chegar a caixa d’água de sua residência.

 

Curiosidade

                  Durante a visita as instalações da COPASA–Diamantina, fiz a pergunta que muitos moradores da cidade estavam querendo fazer: Qual problema ocorreu com a qualidade da água após o carnaval, pois em alguns lugares a água parecia conter uma determinada quantidade de óleo? 

                  Eis a resposta simples e objetiva fornecida pela COPASA: Foram realizados testes nesta água e foi constatato uma quantidade maior de cloro do que as taxas normalmente utilizadas pela COPASA. Taxas estas que não excedem os limites estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Segundo a COPASA, a adição do cloro é realizada por aparelhos eletrônicos sem a intervenção humana neste processo, de modo que não existe nenhum problema por parte da COPASA.

                  A explicação mais coesa viria dos encanamentos, pois como são de ferro e não são os melhores para este fim, acumula-se uma espécie de crosta branca de cloro nas paredes da tubulação. A velocidade média que a água corre dentro dos encanamentos de distribuição em períodos de distribuição normal na cidade é de 90km/s. No entando, durante o período do carnaval a demanda de água aumenta e essa velocidade chega a ser de 130km/s à 150km/s, fazendo com que a tubulação seja, de certa forma, lavada, e todo o cloro acumulado nas paredes internas das tubulações dissolvido na água distribuida. 




Fontes de pesquisa e dados:

* COPASA-Diamantina

* Livreto SANEAMENTO, Prof. Eduardo Soares, editado pela COPASA MINAS, edição não especificada. 

* Entrevista com Técnico de Laboratório, Rafael, funcionário da COPASA-Diamantina, ao qual agradeço, em nome da equipe do Ciência & Tudo, pela atenção dada e empenho em responder as perguntas e apresentar a Estação de Tratamento de Água Pau de Fruta.


Lucas Andrade
lucas.andrade@demolay.org.br



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