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Expandir ou não expandir? Eis a questão.

postado em 3 de out de 2011 13:47 por André Luiz Covre   [ 3 de out de 2011 15:38 atualizado‎(s)‎ ]

Segundo uma nota de esclarecimento divulgada pelo presidente do Conselho Universitário (CONSU) da UFVJM, o Reitor Pedro Ângelo Almeida Abreu, em 18 de agosto de 2011, a UFVJM ficou definida como uma universidade multi-campi, portanto, é certo que serão implantados novos campi vinculados ao de Diamantina, só não se sabe quando, nem onde.

Essa decisão pode ser tomada em 07 de outubro, dia em que ocorrerá uma consulta ampla à comissão de diretores das unidades acadêmicas da UFVJM, reunião que ocorrerá a partir das 08h30. A discussão está vinculada à necessidade de aprovar o PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional) da Universidade. Segundo informações não oficiais de um membro do CONSU,  a tendência é que a proposta não seja aceita no momento. A reunião será aberta ao público, já que tratará de um assunto que envolve não só professores, mas toda a comunidade. Até agora, apuramos algumas informações de reuniões que aconteceram para discutir a questão.

O projeto de Universidades multi-campi vem de 2007/2008, como parte do Programa de Expansão da Universidade Pública Brasileira (Reuni), portanto, independente da UFVJM, 47 novos campi de IFEs (Instituições Federais) serão construídos.

O Prof. Atanásio, coordenador de BHU e membro do CONSU, acha que deveria ser aberta uma outra Universidade. Não é contra a expansão, mas é contra ter um campus avançado: “Pra quê tudo longe? Nas condições em que estamos isso é incoerente. Temos professores passando como efetivos e indo embora. Nessa situação não será possível atender as duas regiões. A questão é que é mais barato administrativamente abrir outro campus do que outra Universidade.”

Sobre a posição do ICT

O Prof. Antônio Genilton, do BC&T, ressaltou que “o governo federal está em uma nova etapa de expansão do ensino superior e anunciou a criação de novas Universidades e novos campi. Dentre os novos campi, anunciou que dois deles, Unaí e Janaúba, eram da UFVJM". Ainda, segundo o professor, "foi convocada uma reunião extraordinária do CONSU para esclarecimento dos fatos. Nesta foi lembrado que ainda não temos o nosso PDI - Plano de Desenvolvimento Institucional finalizado e aprovado e que é nele que deve constar a forma como deveremos expandir-nos. Assim ficou decidido que iríamos verificar junto à comunidade acadêmica de cada unidade a aceitação ou não dos novos campi, e que, de posse de tal resultado, os diretores das unidades iriam discutir o capítulo do PDI que trataria de tal assunto, permitindo ou não que aceitemos a oferta do governo. Tal decisão deve acontecer na próxima reunião do CONSU em outubro.” O professor ainda esclareceu que o ICT realizou uma reunião de professores no dia 26/08. Compareceram 14 professores. Nas palavras de Genilton, “após longa e proveitosa conversa fizemos uma votação onde 13 dos presentes foram favoráveis aos novos campi e 1 contra”.

O Diretor do ICT e Presidente da Congregação, Prof. Dr. Paulo César Andrade, informou que "em reunião realizada no dia 23 de setembro, a Congregação do ICT, com a presença de 7 docentes, 1 técnico administrativo e 1 discente, foi discutido o Plano de Expansão da UFVJM para novos campi".  Após a apresentação, segundo a informação da Congregação, de todos os pontos de vistas e discussões, chegou-se ao parecer do ICT sobre o Plano de Expansão da UFVJM para novos campi:

1)  A UFVJM deve se expandir para novos campi? A Congregação do ICT aprovou por unanimidade que a UFVJM deve se expandir para novos campi.
2) Quando deve ocorrer a expansão? A Congregação entendeu que a Expansão para novos campi deve ocorrer a qualquer momento, desde que planejada, principalmente em termos de sua organização administrativa.
3) Para quais regiões a UFVJM deve direcionar novos campi na época da expansão? Por unanimidade, a Congregação deliberou que a expansão deve  se dar para os Vales (Jequitinhonha e/ou Mucuri) e para outras regiões.
4) Que habilitações ou tipo de formação pode-se indicar para a expansão? A Congregação, por unanimidade, compreende que a expansão deve contemplar habilitações ou formação de bacharéis e licenciados.
5) Quais as áreas do conhecimento (tabela CAPES) a expansão para novos campi deve priorizar?  A Congregação do ICT não se posicionou em relação em relação a indicação das áreas, cuja decisão só deve ser tomada após uma consulta à comunidade externa que será beneficiada pelos cursos e definição dos interesses da UFVJM.

Leia ainda, no Editorial, o texto que o Prof. Antônio Genilton escreveu em contribuição ao assunto.

O lado dos principais beneficiados

Porém, a situação não pode ser vista apenas pelo nosso ângulo. No dia 02 de setembro, houve uma reunião na Comissão de Assuntos Municipais de Unaí, na qual o prefeito não esteve presente, como pode ser notado nos comentários indignados de moradores no blog http://unaiparatodos.blogspot.com/, o Reitor Pedro Ângelo disse que a implantação de um novo campus seria positiva para a cidade, mas que a UFVJM tem como prioridade os campi dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Na cidade de Janaúba, quem coordena há mais de três anos o movimento em favor da criação de uma instituição de ensino superior público federal é a empresária e produtora rural Maria de Fátima leite. Em Janaúba já existe há 17 anos um campus da Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros), com três cursos: Agronomia, Pedagogia e Zootecnia (informação cedida pelo jornalista Oliveira Junior). No dia 5 de janeiro de 2008, Fátima Leite iniciou a campanha pró-universidade federal. A mobilização teve como finalidade recolher assinaturas de estudantes e moradores dos municípios que compõe a região da Serra Geral de Minas. (Mais informações sobre podem ser acompanhadas no site do Jornal O Norte, na edição do dia 08 de janeiro de 2008). Portanto, ao contrário do aparente descaso dos governantes de Unaí, é visível a expectativa de quem vive em Janaúba.



Leia na íntegra a carta enviada em 2008 pela Maria de Fátima Leite ao  Presidente Luis Inácio Lula da Silva.

O jornal “Estado de Minas”, em sua edição de quarta-feira, dia 17, em matéria do jornalista Luiz Ribeiro, revelou a animação da cidade: "A chegada da universidade foi muito festejada em Janaúba, cidade que se destaca na produção agrícola, em franco crescimento [...]. O presidente do Sindicato Rural de Janaúba, José Aparecido Mendes, acredita que a implantação do campus UFVJM vai estimular ainda mais o crescimento da cidade, que já desponta como polo de 16 municípios da região da Serra Geral de Minas. "Com certeza, Janaúba vai alcançar outro estágio de progresso com melhor qualificação profissional”, avalia José Aparecido." Conseguimos também depoimentos de dois alunos do BHU sobre a expansão:

Gleidson:

Vou fazer uma pergunta pra você antes, primeiro eu quero saber, pra depois responder. Esses dois novos campi, lá em Janaúba, é isso? (e Unaí) eles vão ser vinculados à Universidade Federal dos Vales? (É campus de extensão, igual Mucuri, é um campus avançado?). Talvez o que está acontecendo mais de, sei lá, uma aversão a esse projeto, é por causa dos alunos daqui da UFVJM, que estão vendo que os trabalhos não estão sendo concluídos, a Universidade ainda está em Construção, ai a gente acha meio que injusto construir dois novos campi, sendo que o nosso campus ainda nem a metade está pronto. Mas em matéria de expansão, se tiver dinheiro, se tiver condições, eu sou completamente a favor. Porque ta longe gente, Unaí ta longe daqui, e Montes Claros querendo ou não ta longe daqui também. Então porque que as pessoas de Unaí também não podem ter uma Universidade Federal? O pessoal de Montes Claros também não? Mas desde que, dê a César o que é de César, desde que, terminem a nossa, e valorizem a nossa. Eu não tenho nada contra isso, até porque eu não sei muito sobre o assunto.

Renan:

Olha, o que eu acho, é que a Universidade tem que alcançar mais pessoas, tem que se expandir, mas a maneira como que essa expansão está sendo planejada, (tinha que deixar os Vales do Jequitinhonha participar) quem sabe a Universidade não se expandir dentro da sua própria área de atuação? Eu acho que essa maneira arbitrária, imposta que foi dada a expansão, vai criar uma distância geográfica muito grande entre os campus, a sede e os outros campi aliás, e sem contar que, assim, eu sou a favor que expanda pra qualquer lugar, só que a UFVJM, tem como missão dela atender os Vales do Jequitinhonha e Vale do Mucuri. Sou totalmente a favor que tenha atividades em outras áreas, mas ligadas a outras universidades, outra universidade que se proponha, a partir da região dela, melhorar a região. Porque essa foi a missão da UFVJM e outras universidades voltadas mais pra uma área, pra sua região.


As questões estão postas: quais conseqüências a expansão trará para quem já está inserido na Universidade? Atrasará o processo de construção da UFVJM? O que tratá de benefícios para Diamantina? Por outro lado, como negar o desenvolvimento à população de Unaí e Janaúba? Expandir ou não expandir?

 

Lorrayne Isabelle Berto e Guilherme Fonseca Paula

com colaboração de Thalita Almeida

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