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A Gênesis Diamanti-Universitária

postado em 18 de mar de 2011 08:44 por Ernane Junior   [ 22 de mar de 2011 16:31 atualizado‎(s)‎ ]

        Uma cidade histórica, uma Universidade Federal recém criada, uma população historicamente marcada, uma leva de jovens cheios de expectativas e sonhos, oriundos de um Brasil multicultural, uma gênesis Diamanti-Universitária que almeja apenas um único objetivo: reconhecimento.

        Direcionando o foco para as origens, percebe-se que a relação cidade-universidade é bem mais profunda e intensa do que  se pode imaginar. Com a descoberta de raras e brilhantes pedras, as quais, pensava-se, poderiam ser encontradas somente nas índias, Diamantina começa a ter sua história escrita a sangue e pedras pelo Vale. Uma história que supera a supremacia aurífera, pois com o declínio da extração do ouro ao final do século XVIII, o diamante toma a cena e perdura por mais algumas décadas, tornando o pólo diamantinense o de maior extração de diamante do mundo ocidental e um dos principais produtos de exportação da época.

        Tal qual o diamante encontrado nesses vales do norte que ofuscou o brilho do ouro, a UFVJM surge também como uma espécie de pedra preciosa mineira, buscando espaço e destaque no meio acadêmico nacional, também procurando desempenhar um papel construtivo na sociedade local. Ou seja, para além de tentar transformar uma cidade mineradora em uma cidade universitária, o fato histórico da fundação de uma nova Universidade Federal em Diamantina possui laços ideológicos fundantes com fato histórico da descoberta dos diamantes e sua relação com a supremacia aurífera.

        Outro laço compartilhado entre a cidade e a Universidade são suas sucessivas mudanças de nome: antes da epifania diamantinesca, a cidade se chamava Arraial do Tijuco. Por volta de 1734 passou a se chamar Centro Político Administrativo do Distrito de Diamantino, para em seguida consolidar-se em Diamantina. Tal como a universidade, até a definição de seu nome atual, a UFVJM quando fora Fundada em 30 de setembro de 1953 por Juscelino Kubitschek de Oliveira e federalizada em 17 de dezembro de 1960 era conhecida por Faculdade Federal de Odontologia de Diamantina (Fafeod). Transformou-se em Faculdades Federais Integradas de Diamantina (Fafeid) em 04 de outubro de 2002, elevadas à condição de Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). E devido a programas de apoio para expansão de universidades federais criados no governo Lula (Reuni), as possibilidades de desenvolvimentos da nova jóia do norte de minas são ilimitadas.

        Com o esgotamento de suas jazidas, a cidade dos diamantes passou a ter sua economia voltada para o comércio e o turismo. Milhares de pessoas visitam a cidade por ano com o objetivo de conhecer mais sobre sua arquitetura peculiar, sobre JK e Chica da Silva, entre outros pontos turísticos. Nesse contexto, o objetivo desse espaço é discutir como a UFVJM agregará forças a economia da cidade e seu desenvolvimento. Nossa proposta é, a partir de uma série de reportagens sobre a relação entre a Universidade e a sociedade diamantinense, discutirmos a visão do cidadão sobre essa relação, seus pontos polêmicos, positivos e negativos.

José Ernane
jrernane@hotmail.com


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